O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) que vai impor tarifas que ele considera recíprocas sobre produtos comprados de outros países. Em cerimônia na Casa Branca, o republicano disse que o objetivo é trazer empregos e fábricas de volta ao país.
Em quadro mostrado pelo presidente, o Brasil aparece com taxa de 10%. “Estamos sendo muito gentis, somos pessoas muito gentis. Nós vamos cobrar aproximadamente metade daquilo que eles nos cobram. As tarifas não serão completamente recíprocas”, afirmou o republicano.
Além disso, países de todos os países com os quais os Estados Unidos fazem comércio pagarão uma taxa linear de 10%.
Trata-se do movimento mais forte do republicano até agora em direção ao que pode ser uma guerra comercial mundial. Trump se refere ao anúncio como o Dia da Libertação.
Trump já havia imposto tarifas de 20% sobre todas as importações da China e sobretaxas de 25% sobre aço e alumínio vindos de todos os países.
O republicano adiou a tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos vindos de Canadá e México para pressioná-los a reforçar o combate ao tráfico de drogas e à imigração ilegal, embora essa medida deva expirar nesta quarta-feira.
O governo brasileiro estava pessimista antes do anúncio e com poucos detalhes sobre como o Brasil seria atingido. Preparando-se para o que viria, o Senado aprovou nesta terça-feira (1º) um PL (projeto de lei) que autoriza o governo a retaliar comercialmente países que imponham barreiras discriminatórias contra produtos brasileiros, unindo a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à bancada ruralista. O texto deve ser apreciado na Câmara ainda nesta semana.
Como justificativa para a medida, o americano afirma que as demais nações exploram os Estados Unidos com tarifas elevadas de importação para produtos americanos. Argumenta também que esta é uma maneira de atrair fábricas para os EUA, numa tentativa de reindustrializá-lo em setores-chave.
A imposição das sobretaxas ocorre apesar do alerta de integrantes do mercado e do próprio governo Trump de que o ato pode gerar inflação nos EUA, além de prejudicar a relação com as demais nações.
Analistas do Deutsche Bank Research afirmaram nesta quarta que outros impostos a produtos estrangeiros já anunciados por Trump elevaram a tarifa média nos EUA para 12%. Em nota, eles dizem que este seria o nível mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial.
O documento ainda afirma que as novas barreiras anunciadas nesta quarta por Trump podem ampliar a tarifa média aplicada pelos EUA a 18%, se aproximando de um nível registrado no país no início dos anos 1930, no período pós-aprovação Lei Tarifária Smoot-Hawley, o que contribuiu para a Grande Depressão.
O problema alertado por economistas é que a tendência é de as empresas repassarem os custos extras aos consumidores, impulsionando a inflação nos EUA.
Trump já anunciou sobretaxas ao Canadá, México e China, tarifou indústrias de automóveis, além do alumínio e o aço. O Brasil é um dos países mais afetados com as tarifas extras para o aço.
Produtos semiacabados de aço, como blocos e placas, estão entre os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA, ao lado de petróleo bruto, produtos semiacabados de ferro e aeronaves. Segundo dados do governo americano, o Brasil está entre os três maiores fornecedores de aço ao país (ao lado de México e Canadá), com US$ 2,66 bilhões vendidos no ano passado.
Recentemente, Trump também anunciou tarifas sobre automóveis importados, medida que pode impactar o setor de autopeças nacional. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,3 bilhão em componentes do tipo para os Estados Unidos.