Mesmo após uma polêmica envolvendo a XP Investimentos, os COEs (Certificados de Operações Estruturadas), um tipo de aplicação que mistura diferentes tipos de investimentos, cresceram 49,7% em um ano, segundo dados da Anbima, a associação do mercado de capitais.
Dados do Banco Central mostram que, entre as instituições financeiras que puxaram a alta, o grande destaque foi o Banco do Brasil, com expansão de 388% na captação de recursos via COEs entre novembro de 2023 e novembro de 2024, último mês com dados publicados pela autarquia. No total, foram R$ 278 milhões captados pelo banco no período.
Em seguida vem Itaú, com alta de 84,67%, seguido por BTG Pactual, que cresceu 44% nesse tipo de ativo, BNP Parribas, com 42,97%, Santander, com 36,71%, e Citibank, com 35,01%.
A XP, que foi alvo de um processo judicial do empresário Marco Antonio Puerta, que alega ter perdido R$ 15 milhões com uma operação com COE, cresceu 17,18% no produto de investimento.
Mais de R$ 20 bilhões
No entanto, mesmo com uma expansão mais tímida, a XP lidera as aplicações nesses títulos. No total foram R$ 20,8 bilhões sob gestão até novembro do ano passado.
Atrás dela está o Itaú, com R$ 18,2 bilhões e Santander, com R$ 16,2 bilhões.
Relembre o caso
Os COEs tornaram-se alvo de desconfiança no mercado no ano passado, quando o empresário Marco Puerta moveu ação judicial na 42ª Vara Cível de São Paulo contra a XP. Nela, ele afirma que a corretora o convenceu a fazer uma operação financeira não recomendada para o seu perfil como investidor —e isso lhe causou um prejuízo milionário.
O investidor alegou que a corretora usou seu próprio filho, Gabriel Puerta, que na época era funcionário da XP, para pressioná-lo a aceitar tomar o risco da operação: um COE com prazo de cinco anos.
A operação financeira consistia na tomada de um empréstimo de R$ 15 milhões para aplicar o dinheiro juntamente com outro montante, de igual valor, que Puerta tinha na corretora em COEs.
Em tese, os juros pagos semestralmente pelo empréstimo seriam menores do que os lucros com o investimento, o que não aconteceu. Além de prejuízo, Puerta ficou com a obrigação de arcar com os juros do empréstimo.
Na ação, a XP nega qualquer tipo de pressão ou irregularidade na oferta do produto financeiro para o cliente. E apresenta como prova dados internos da XP que mostram que Puerta mudou seu perfil de investidor de “arrojado” para “moderado” após mover a ação.
Com Stéfanie Rigamonti
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