O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico e o ONS (Operador Nacional do Sistema) avaliam a flexibilização dos cortes de geração de energia por usinas eólicas e parques solares, em grande parte instalados no Norte e Nordeste.
Em janeiro, esses geradores tiveram restrições de 10% da energia gerada, o equivalente a 1,2 GW (Gigawatts) médios.
A medida ajuda os grupos geradores mas, na verdade, visa proteger o presidente Lula de enfrentar uma crise energética em plena campanha pela reeleição.
Projeções do Ministério de Minas e Energia indicam que os efeitos climáticos comprometerão os reservatórios de água das hidrelétricas, pressionando a alta tarifária em 2026. Pelos cálculos, vislumbra-se risco de que a bandeira seja amarela ou vermelha.
Por isso, o governo quer criar um “colchão de água” nas hidrelétricas e uma das saídas é flexibilizar a geração de eólicas e solares.
O Ministério de Minas e Energia avalia que, em vez do corte, seria possível atingir 2 GW médios de geração ao longo da tarde, no caso da solar, e de junho a outubro, para eólicas.
Esse período considera a sazonalidade dessas fontes. A energia solar produz diariamente e com mais intensidade no período da tarde e os ventos no país são mais fortes no segundo semestre.
Caberá ao ONS fazer os cálculos da vantagem para a União em permitir essa flexibilização, hoje imprevista no arcabouço legal apesar de haver espaço para que seja feita.
A ideia do governo é que o CMSE utilize a deliberação aprovada durante a crise hídrica que abriu brecha para futuras flexibilizações se houver restrições energéticas.
Para isso, será preciso garantir a confiança das linhas de transmissão que ligam o norte e o nordeste ao sudeste, maior centro consumidor. Segundo técnicos envolvidos nas discussões, essa análise é compartilhada entre o ONS, que avalia o risco de rompimento das linhas com tempestades, e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que avalia riscos de queimadas —ambos fatores de derrubada das redes.
No momento, o ONS faz os cálculos para avaliar se a flexibilização valerá a pena. Se houver sinal verde, será preciso uma fiscalização “mais de perto” da Aneel nas linhas de transmissão.
Com Stéfanie Rigamonti
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