Com as sucessivas altas do café, o campo ficou ainda mais visado pelo crime, mas o governo de Minas Gerais tem investido em tecnologia para desarticular quadrilhas especializadas. As afirmações são do governador mineiro, Romeu Zema (Novo), e foram feitas em Brasília, durante participação do governador no Cana Summit, promovido pela Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil).
A atual cotação do café, com preços superiores a R$ 2.500 a saca de 60 quilos, tem provocado furtos e roubos nas lavouras cafeeiras do interior de Minas, maior produtor de café do mundo, como a Folha mostrou no último dia 26. Café no pé tem sido furtado por criminosos e houve o registro inclusive de furtos de mudas de café recém-plantadas.
“Com essa alta do café, o campo ficou ainda mais visado. E esse policiamento tem feito uso cada vez de mais tecnologia, considerando a sazonalidade, já que os crimes mudam de acordo com a época do ano”, disse Zema.
O governador afirmou ainda que o estado tem conseguido desarticular quadrilhas especializadas e que tem visto uma redução nos crimes cometidos na zona rural.
“A segurança pública de Minas Gerais está totalmente acompanhando o setor rural e fazendo o máximo e melhorando através de sugestões”, disse.
A avaliação de cafeicultores ouvidos pela Folha foi a de que os ladrões que atacam na zona rural têm preferido furtar ou roubar café, já colhido ou não, pela facilidade de transportar em comparação com o furto de fertilizantes ou máquinas agrícolas.
Enquanto o café pode ser levado sem que caseiros ou produtores rurais vejam, furtar fertilizantes ou maquinários exige uma ação maior, mais demorada e, até, barulhenta, o que poderia resultar em troca de tiros. Há defensivos que custam, ainda segundo os cafeicultores, cerca de R$ 2.500 a tonelada, muito mais difícil de transportar que uma saca de 60 quilos de café, que custa o mesmo preço.
Produtores, principalmente pequenos, do sul de Minas, mas também do Triângulo Mineiro e da Zona da Mata, têm mostrado preocupação com a perda de parte da produção e a violência no campo. Como a maioria integra a agricultura familiar, qualquer prejuízo no campo causa reflexos no orçamento no decorrer do ano.
No evento em Brasília, Zema ainda lembrou que há os casos em que o café é cotado muito acima dos valores de mercado.
“Temos produtores de café hoje, que não só estão recebendo esse preço bom, como também conseguem vender o seu café especial por R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil a saca. Estamos fazendo com o café o mesmo que sempre existiu com o vinho. Tem vinho de todo preço e tem pessoas que pagam por um café especial”, disse.
O preço da saca estava cotado, nesta quarta-feira (2), a R$ 2.561,84, de acordo com indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A saca iniciou 2025 custando R$ 2.241, enquanto um ano antes valia R$ 1.003, em valores nominais.
Durante a Femagri, feira organizada pela cooperativa Cooxupé em Guaxupé (MG), o tema foi discutido por produtores, entidades e forças de segurança.
O coronel Jardel Trajano de Oliveira Gomes, comandante da 18ª região da Polícia Militar, disse na feira que a segurança deve ser tratada ao longo dos anos, e não só no momento atual, em que o preço do café chama a atenção, e que é preciso integração dos envolvidos. Afirmou ainda que as polícias estão trabalhando em busca de identificar quadrilhas que atuam na região.
“Mas, sozinhas, a Polícia Militar e a Polícia Civil não conseguirão fazer nada. É preciso que haja mudança de comportamento de todos. Precisamos do envolvimento das prefeituras, das cooperativas, dos sindicatos, das comunidades, dos fazendeiros, de todos.”
O jornalista viajou a convite da Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil)