O CNU (Concurso Público Nacional Unificado) não terá edição em 2026, ano de eleições, segundo a ministra Esther Dweck.
A restrição ocorre devido à legislação eleitoral, que proíbe nomeações de servidores públicos nos três meses que antecedem o pleito e até a posse dos eleitos. “Por ser ano de eleição, é muito mais difícil realizar o concurso. Temos que homologar todos os resultados antes do início do período eleitoral”, disse a ministra na segunda-feira (31).
A segunda edição do concurso público está prevista para o segundo semestre deste ano, com homologação até junho de 2026. O termo de referência com os primeiros detalhes da prova deve sair na primeira quinzena de abril.
IDENTIFICAÇÃO SERÁ POR CÓDIGO DE BARRAS
Após problemas com o preenchimento do cartão-resposta, que levaram candidatos a contestarem a primeira edição na Justiça, o MGI (Ministério da Gestão e Inovação) decidiu implementar um sistema de código de barras para identificação dos candidatos.
Cada caderno de questões virá com um código único, que identificará o candidato sem revelar seus dados pessoais aos corretores. “Não é o nome ou número de inscrição, mas a máquina consegue ler e garantir que aquela prova pertence àquela pessoa”, diz a ministra.
A expectativa é que a tecnologia agilize a correção e a divulgação de resultados. O ministério diz que ela será especialmente útil nos blocos com questões embaralhadas, em que diferentes versões da prova circulam na mesma sala.
CNU 2025 TERÁ EDITAL ÚNICO
Neste ano, o CNU terá um edital unificado para todos os blocos temáticos. “Vamos uniformizar as regras e deixar tudo mais claro”, afirma Esther Dweck.
Na edição de 2024, foram oito editais diferentes —sete para os postos de nível superior e um para os de ensino médio. O candidato precisava escolher, no momento da inscrição, o bloco com as vagas de seu interesse.
A segunda edição também terá a inclusão de duas novas carreiras transversais: analista técnico de Justiça e defesa e analista técnico de desenvolvimento socioeconômico.
MGI ESTUDA BONIFICAÇÃO PARA MULHERES
Na primeira edição, mulheres representaram 52% dos inscritos, mas apenas 41% dos aprovados. Na área de TI (Tecnologia da Informação), o percentual de aprovação cai para 8%.
“Quando analisamos os blocos separadamente, vemos uma distorção alarmante. Enquanto nas carreiras sociais e educacionais as mulheres são 60% dos aprovados, em TI esse número despenca”, afirma a ministra.
Em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o MGI indica que o dado tem relação com a faixa de idade dos aprovados, entre 35 e 45 anos. “É uma fase em que as mulheres costumam acumular trabalho remunerado, cuidados com a família e tarefas domésticas.”
O governo estuda adotar medidas similares às do Ministério das Relações Exteriores, que implementou um sistema de bonificação para mulheres nas fases iniciais de seu último concurso. Por enquanto, só está prevista uma campanha de divulgação de histórias de servidoras bem-sucedidas.