As vendas anuais da BYD ultrapassaram US$ 100 bilhões (R$ 565 bilhões) pela primeira vez, com a campeã chinesa de veículos elétricos dominando seu mercado doméstico e avançando em uma expansão internacional.
A BYD, sediada em Shenzhen, informou que sua receita cresceu 29% para Rmb 777 bilhões (R$ 608 bilhões) no último ano, superando A previsão de Rmb 766 bilhões (R$ 599 bilhões) dos analistas, impulsionada pela forte demanda por híbridos plug-in. O lucro líquido do grupo subiu 34%, alcançando Rmb 40 bilhões (R$ 31 bilhões)
Diferentemente de sua rival americana Tesla, que vende apenas veículos totalmente elétricos e registrou receita de US$ 98 bilhões (R$ 553 bilhões) no último ano, a BYD se beneficiou da demanda renovada por veículos híbridos na China.
Após anos de uma guerra de preços no maior mercado de EVs do mundo, a China, a BYD começou a abandonar uma estratégia agressiva de preços para ganhar participação de mercado, focando agora em aumentar sua lucratividade.
“Os principais players do mercado, incluindo a BYD, deixaram de lado a abordagem de ‘preço por volume'”, disse Serena Shen, analista automotiva da S&P Global Mobility. “Em vez disso, eles tentam elevar os preços de varejo inovando e atualizando seus modelos.”
Os resultados coroam um notável período de 12 meses para o grupo chinês, que neste ano buscou tornar sua linha mais atraente com a introdução de várias novas tecnologias, incluindo o chamado sistema de condução avançada God’s Eye.
O fundador Wang Chuanfu revelou na semana passada um sistema de carregamento de baterias que, segundo a empresa, permitirá carregar EVs em cinco minutos, ajudando a levar suas ações a uma máxima histórica.
As ações recuaram desde o pico da semana passada, mas acumulam alta de 91% nos últimos 12 meses. Elas fecharam em alta de 3% a HK$ 403,40 na segunda-feira (24).
Em contraste, as ações da Tesla, que ainda não atingiu o marco de US$ 100 bilhões (R$ 565 bilhões) em receita anual, caíram 32% este ano, após alcançarem uma máxima histórica em dezembro, logo após a vitória eleitoral de Donald Trump.
A BYD também avança com uma expansão agressiva fora da China, apostando que pode superar montadoras tradicionais como Volkswagen e Toyota em mercados da Europa ao sudeste asiático.
No último mês, a BYD, cujas vendas internacionais ultrapassaram 400 mil veículos de um total de mais de 4 milhões, captou quase US$ 6 bilhões (R$ 33,9 bilhões) para financiar seu crescimento fora da China. O grupo, que respondeu por cerca de 16% de todos os carros exportados da China em janeiro e fevereiro, inaugurou fábricas na Tailândia e no Uzbequistão em julho passado.
A BYD lidera um boom nas exportações de tecnologia limpa chinesa. Além de carros, a empresa produz uma gama de tecnologias relacionadas à energia, incluindo baterias de lítio para armazenamento em larga escala e módulos solares.
A ascensão da companhia despertou temores entre montadoras ocidentais e governos sobre os avanços da China em tecnologia de baterias. A União Europeia impôs no último ano altas tarifas sobre veículos elétricos chineses, após uma investigação do bloco sobre suposto apoio injusto de Pequim à indústria.
As ambições internacionais da BYD também levantaram questões sobre como ela lidará com padrões mais rígidos de trabalho e meio ambiente. Seu desenvolvimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,65 bilhões) no Brasil foi atrasado em dezembro, quando autoridades paralisaram a construção devido a condições de trabalho “semelhantes à escravidão”.
A BYD posteriormente demitiu um empreiteiro chinês e afirmou ter “tolerância zero” com o desrespeito às leis locais e à dignidade humana.